terça-feira, 5 de setembro de 2017
Aos que choraram
Não me interessam os que
contra todas as adversidades
triunfaram.
Não me impressionam os que
sobre todos os percalços
venceram
Não me cativam os que
imperturbáveis
seguiram adiante
me importam os que sucumbiram
me inquietam os que perderam
me comovem os que choraram.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Espartilho
Um espantalho andarilho
se encontrou com um espartilho
_Para aonde vais, protetor do milho?
_Ora, para Esparta, meu filho
Nossos fracassos
Como se fosse uma série de terror, numa mesma temporada se elegeram Menen, Fujimore e o infame Collor de Merda. No Brasil, ainda havia boas opções, como nos disse Leonel Brizola no último debate do 1° turno. Brizola pedia aos eleitores que dessem um não rotundo às candidaturas de Maluf e Collor. Dizia até que quem não gostasse dele que votasse em outros candidatos que não representassem o atraso como o alagoano e o paulista. "Há gente digna concorrendo" dizia o estadista.
Na Argentina, não havia tal opção. A única outra candidatura viável era a de Angeloz, outro representante do mesmo projeto neo-liberal. No Peru, dava-se o mesmo. Vargas Llosa era a outra voz do conservadorismo que disputava a presidência do país andino.
E começaram as privatizações. Collor sequer servia para fazer o serviço sujo do entreguismo e logo foi sacado do comando da nação com o auxílio nada luxuoso da Globo. Fernando Henrique foi o nome escolhido para vender o país a preço de banana em fim de feira. Para a Globo, o "mercado" e seus porta-vozes, FHC andava meio lento com as privatizações e lembro da Lilian Fritebife dando uns ataques ao vivo no Jornal da Globo e elogiando Menen, que vendia rapidinho todo o patrimônio argentino incluindo las palomas de la Plaza de Mayo
Outro que também advogava pelas privatizações era o Luís Nassif. O neo-petista naquela época era neo-liberal. Ainda me lembro de um dia em que ele fazia a defessa da entrega com argumentos tão fajutos que quem o escutou logo pensou, assim como eu, em má fé ou algo pior.
Fernando Henrique, que recusava a pecha de neo-liberal, foi mais competente que Collor e torrou tudo. Lá se foram a Vale e tantas outras empresas de telefonia, eletricidade e recursos minerais para as mãos cobiçosas do empresariado externo e para alguns nacionais que se associavam ao capital gringo e enchiam a burra depois, vendendo sua participação no negócio. Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica e Petrobrás escaparam da sanha privatista por milagre ou, quem sabe, pelo resto de escrúpulos que ainda possuía FHC. Escrúpulos que o tempo extinguiu.
Com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, gente ingênua como eu pensou que o processo poderia ser revisto e que nosso patrimônio poderia voltar a pertencer à Nação. Qual nada. Faltou vontade, faltou coragem, faltou culhão. Claro que se eu e outros babacas tivéssemos lido com atenção a "Carta aos Brasileiros", essa ilusão não teria durado mais que o tempo de um leilão na bolsa de valores. Em favor de Lula e Dilma, pode-se dizer que, pelo menos, não entregaram nada mais que o prometido na "Carta".
Onde quero chegar com essa arenga? Ora, no óbvio. Que os males perpetrados contra o Brasil e sua população por este governo ilegítimo e corrupto que aí está, dificilmente serão revogados ou revistos ou anulados, mesmo que o governo eleito em 2018 (se houver eleições) seja de perfil progressista. Certamente haverá uma nova carta aos brasileiros para tranquilizar os beneficiários da rapinagem. A origem de nossos fracassos é a falta de coragem.
sábado, 26 de agosto de 2017
terça-feira, 25 de julho de 2017
Música
Eu passaria horas seguidas
escutando
a melodia sinuosa
o som grave, quase áspero
o tom cortante e impositivo
os silêncios perturbadores
a cadência marítima
a harmonia luminosa
a música
de tua voz.
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Memórias II
Agora me lembro. Eu continuei morando com os caras. Foi nesse mesmo lugar que transei pela primeira vez com a Aninha. Ainda doía a separação com a Moça mais bonita de Copacabana, mas, sabe como é, eu gostava da fruta
Aninha era uma paulista baixinha, gordinha e sexy. Também militante da Convergência Socialista como os caras com quem eu vivia. Nosso relacionamento não era namoro. Era uma amizade colorida, como estava na moda naqueles dias. Depois daquela primeira transa seguimos transando, ora no apartamento do Catumbi, ora em sua casa. Ela morava em Niterói, na Alameda São Boaventura. Depois se mudou pra outro endereço na antiga capital fluminense.
Na Alameda passamos bons momentos. Aninha financiava uns almoços num restaurante da área que servia um strogonoff de camarão da pesada. Estreei com ela o novo apartamento. Foi num dia que nos encontramos no centro do Rio. Acho que foi no Amarelinho ou no Circo Voador. Como eu me encontrasse totalmente bêbado, Aninha falou pras amigas que ia me levar apenas pra me por na cama. Que nada! Transamos como nunca naquela madruga e fomos acordados pelo porteiro, porta-voz dos indignados vizinhos que tinham assistido nosso amor pela janela ainda sem cortinas.
Mas o que eu queria contar é outra coisa ocorrida na casa do Catumbi.
Como eu não contribuía financeiramente pra nada, tentava ser útil em outras coisas. Dava umas arrumações, lavava o banheiro e mantinha a cozinha em ordem. A rapaziada trabalhava e militava o dia inteiro e só vinha pra casa altas horas. Todos chegavam sempre alegres. apesar do cansaço e dos riscos da militância naqueles dias bicudos da ditadura.
Um dia achei umas coisas na geladeira e fiz uma sopa de sustânça Modéstia às favas, eu me viro bem na cozinha. Não sei fazer nada de especial, mas mando bem no trivial simples. Justo naquela noite, Ciro Garcia e Maurício tinham levado as namoradas pro nosso bioco. Todos e todas elogiaram a sopa. Na manhã seguinte, pus a panela de molho pra desgrudar os restos que ficaram agarrados no fundo e me mandei. Dormi na casa de uma moça que havia conhecido dias atrás.
Quando voltei na noite seguinte, fui novamente elogiado pela sopa. O pessoal havia comido o resto que eu havia deixado de molho pensando que era a sobra do rango do dia anterior. A grana era pouca, a fome era muita. Eu não falei nada. Recebi os elogios e fui dormir.
Tempos depois, nesse mesmo apartamento, houve a briga com a Magda que me levou outra vez pro Souza Aguiar e pro olho da rua.
Memórias
Foi um tampo difícil. Eu não tinha onde morar. Andei uns dias dormindo na praia e meu amigo Maurício me deu uma cobertura. Me chamou pra morar no apartamento que ele dividia com o Mancha Negra e o Ciro Garcia, ali entre o Catumbi e Santa Teresa.
Eu não tinha emprego, não tinha guarita, não tinha nada, estava fudido, mas namorava a moça mais bonita de Copacabana. Um dia, pisei na bola, pisei feio na bola e perdi a moça mais bonita de Copacabana. Bêbado, tentei me matar cortando o pulso, só um. Acordei numa escadaria próxima do lugar onde vivia; aquela buceta aberta no braço. Tinha saído do apartamento pra não provocar problemas pros caras com quem vivia. Desci o morro e fui esperar condução que me levasse pra algum hospital. Cheguei na Itaperu e uns caras que estavam do outro lado da rua vieram me assaltar. Um deles chegou na boa e disse que só queria uma grana pra cerveja. Ao ver a buceta aberta no meu braço e ouvir minha explicação, o cara ficou solidário e parou um táxi
Eu fui logo dizendo pro taxista que estava duro, que ele podia me deixar no próximo ponto de ônibus, que eu me virava, mas o cara foi legal e me levou até o Souza Aguiar. Era a segunda vez que eu dava entrada ali. Outra bebedeira, outra costura numa madrugada de sexta pra sábado.
Saí do hospital e já sabia o caminho do botequim mais próximo. depois daquela 51 tem uma lacuna na memória. Não lembro sequer se continuei morando com os caras.
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