quarta-feira, 25 de junho de 2014

Vai dar empate



Na copa de 1974, jogaram Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental para definir quem seria o primeiro colocado no grupo. O vencedor da chave pegaria o Brasil nas quartas de final. A poderosa Alemanha Ocidental, que seria a campeã daquele torneio, perdeu propositadamente para a fraca Alemanha Oriental e se desviou da Seleção Canarinho. Jogou contra os poloneses e foi à final contra os holandeses. O brilhareco de vencer os rivais capitalistas estava de bom tamanho para os “orientais” e para a propaganda do partido comunista. Todos ficaram felizes.
Em 1982, Alemanha Ocidental e Áustria fizeram o último jogo da chave. A Áustria tinha quatro pontos, fruto de suas vitórias contra Chile e Argélia. Os argelinos haviam vencido a Alemanha e Chile e também contavam quatro pontos, Os alemães só haviam vencido os chilenos e necessitavam da vitória contra os austríacos para seguir na competição. Aos austríacos não importava a derrota desde que não fosse por mais de um gol. A Alemanha marcou logo no início da partida. Depois do tento alemão, as duas equipes ficaram tocando bola por mais de 85 minutos sem se agredirem. O resultado classificou as duas seleções e deixou a Argélia, que teve sua melhor participação em copas naquele ano, de fora. O episódio foi apodado de “a vergonha de Gijón”.
Logo mais, jogaramm Alemanha e Estados Unidos, Um empate classifica as duas seleções, mas uma vitória dos americanos colocaria esta seleção como primeira do grupo. Não creio que a ambição americana, antes de começar o mundial, fosse esse. Imagino que Klinsmann e seus comandados sempre pensaram em disputar o segundo posto com Portugal. A passagem para as oitavas já seria uma conquista e tanto para os yanques, e ela está aí, ao alcance das mãos, por um empate. O engraçado é que nem os portugueses nem a crônica esportiva brasileira ( exceção para Carta Capital) estão aventando a possibilidade de armação. Seguem fazendo contas inúteis.

Se eu fosse apostar, apostaria no pragmatismo dos alemães e do técnico alemão dos Estados Unidos. Vai dar empate.

sábado, 21 de junho de 2014

Espanha, o fim de uma farsa



Não, a Espanha não foi eliminada na primeira fase da copa. A Espanha foi eliminada na segunda rodada da primeira fase e fará uma melancólica despedida contra a Austrália, também eliminada. É o fim de uma era. Curta era.
A derrocada espanhola no mundial do Brasil, deverá pôr fim também a uma filosofia futebolística que tinha como princípio o passe de dois metros e como finalidade, levar-nos ao mais extremo tédio.
O futebol da mais medíocre campeã mundial de todos os tempos, era sonífero para elefante, canção para ninar rinoceronte. A chatice que nem os dezoito gomos suportavam. E no entanto, foi cantado em prosa e verso por comentaristas e palpiteiros que chamavam de craques mediocridades com Alba, Azpilicueta, Busquets, Albiol e o marido da Shakira.
O futebol da seleção espanhola que não era nada antes da copa da África do Sul, voltará a ser nada pelos próximos 50 anos. O país continuará a ter seu rico campeonato que Paulo Vinícius Coelho batizou como o melhor gauchão do mundo. Continuará importando jogadores de todos os continentes e naturalizando alguns deles quando não conseguir arrumar 11 nacionais para formar sua seleção.
A eliminação tardia (e não precoce) da Espanha do melhor mundial dos últimos tempos, é o fim de uma farsa.



Copa



Antes do jogo Itália e Costa Rica, Cesare Prandelli, o técnico italiano, disse sobre o adversário em forma de elogio:_A Costa Rica alia a organização européia com a fantasia sul-americana.
Assim como todos nós, o técnico italiano deve ter ficado surpreendido com a atuação da equipe centro-americana diante dos atônitos uruguaios. Mas parece que pouco aprendeu da lição dada por Jorge Pinto e seus comandados. 
Mesmo durante o jogo, nossos comentaristas repetiam a frase que, por ser “elogiosa”, parecia conter alguma verdade. Pois não tinha. De que organização européia nos fala Prandelli? A de sua equipe cuja única arma é a inspiração de Pirlo? Da equipe inglesa que tem na bagunça defensiva o sinal mais óbvio de falta de treinamento? Ou da Espanha, que apanha de qualquer um que saiba minimamente trocar passes diante de sua imobilidade?
De que organização nos fala Prandelli? Será que os europeus vão sempre se agarrar a estereótipos geográficos e raciais para definir o futebol? Que organização se pôde ver no time fraquíssimo da Suíça que foi goleado pela França? Ou da seleção da Bélgica que chegou despertando grande interesse e só venceu a pobre Argélia na base do bumba meu boi?
De Portugal, o time de um homem só, é melhor nem falar. Ou melhor, podemos falar do Mourinho, que antes do jogo dos costarriquenhos contra os italianos vaticinou que o time de Jorge Pinto não repetiria a boa atuação que tivera diante dos uruguaios e cravou 3 pontos e classificação para a Itália.
Futebol organizado se viu na Costa Rica, no México, no Chile. Mesmo assistindo pela TV, que por ter de perseguir a bola priva o telespectador do conjunto, nota-se claramente um plano de jogo, uma organização tática, nesses times.

Comentários como esse de Prandelli, são sempre ouvidos de técnicos e jogadores europeus e repetidos por nossos comentaristas esportivos, cada dia mais xenófilos, como se fossem valiosos ensinamentos. E são apenas estereótipos, preconceitos, equívoca noção de superioridade intelectual.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Cobertura ruim, platéia burra



As TVs estavam muito ocupadas mostrando a festa de abertura, chata e cafona, do mundial para dar espaço à realização de Miguel Nicolelis. Usando um exoesqueleto, um tetraplégico chutou uma bola de futebol. A façanha da equipe de neurocirurgiões que trabalhou no projeto “Andar de novo” merecia maior destaque. Devia ter sido vista por todos, no centro do gramado com os jogadores já formados e após a execução dos hinos. Mas o que se pode esperar de Blater e sua gente?
Findo o “show" de Cláudia Leite, Jennifer Lopes e de um sujeito que eu jamais ouvira falar, recuperaram a imagem do feito e durante 2 ou 3 segundos pudemos ver um passo gigantesco da ciência, uma conquista da humanidade.
Acho que devemos dar um desconto tendo em vista que as emissoras de TV não estão preparadas para coisas desse porte. Sua especialidade em matéria de cobertura jornalística são os casamentos da realeza européia e a entrega do Oscar.
Amanhã ou depois, algum apressado repórter será enviado para entrevistar Nicolelis e fará mais uma estúpida reportagem carregada de ufanismo e de metáforas futebolísticas.
Depois veio o jogo. Jogo duro e vitória merecida da Seleção Brasileira.
No segundo tempo, parte da platéia, composta pelo que há de mais branquinho e classe média de nossa sociedade conservadora e imbecilizada pelas redes sociais, resolveu xingar a Presidenta Dilma. Não vaiaram, não apuparam. Usaram do palavrão para ofender a Presidenta que foi eleita democraticamente e que, segundo as pesquisas, deverá vencer o próximo pleito e governar o país por mais 4 anos. Outra parte da platéia respondeu, mostrando que mesmo entre os endinheirados que pagaram uma nota preta para ver a estréia da Seleção, havia os que apóiam o atual governo ou, pelo menos, sabem se comportar com um mínimo de respeito e educação.
No afã de mostrarem-se indignados, os revoltadinhos que xingaram a Presidenta apenas expuseram sua falta de apreço à democracia.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Marulhar



Não, eu não passei anos olhando o mar
Sequer dias passei olhando o mar
Algumas horas? Não, uns minutos talvez
eu tenha passado olhando o mar
Pois sempre que escuto o marulhar
meus olhos buscam o barco no mar
O homem do mar
A morada do homem na ilha

no meio do mar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O juiz que atira bananas



O Ministério Público Federal solicitou junto à justiça a retirada imediata da internet de vídeos de cultos evangélicos que achincalham e ofendem as religiões afro-brasileiras. O juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª vara federal do Rio de Janeiro, indeferiu o pedido alegando que não há risco de demora, pois não está em jogo o direito de exercício de tais práticas nem há perecimento do direito. Assim o Google poderá apresentar defesa em tempo conveniente sem que os vídeos infamantes sejam retirados.
Me parece que o magistrado não entendeu o motivo do pedido. Não se trata de perecimento das práticas nem do direito de exercê-las. Ninguém está alegando que a existência de tais vídeos coloca em risco os cultos afro-brasileiros. O caso é de ofensa grave, de intolerância religiosa e difamação de seus praticantes. O efeito disso é visível nos comentários dos fanáticos pentecostais feitos nas redes sociais e nos sítios informativos da internet.
Mas o togado não ficou na interpretação equivocada do pedido do MPF. Eugênio (o gênio) disse em seu parecer que os cultos afro-brasileiros não são religiões. Para esse filósofo contemporâneo, tais cultos carecem de traços necessários para assim serem considerados. É ele quem aponta tais carências: “a inexistência de texto base (bíblia, corão, etc), ausência de estrutura hierárquica e ausência de um Deus a ser venerado”.
Eugênio descrê na tradição oral e parece desconhecer a existência de culturas ágrafas. Ou talvez pense que sem escrita para a produção de “texto base” não possa haver adoração de deuses nem ritos religiosos. Ele também exige hierarquia, quer patentes para que haja religião. Seu parecer é uma banana atirada aos seguidores de religiões milenares, à nossa herança cultural, ao nosso povo mestiço.

Em resumo: Eugênio é uma besta.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Aécio espera a chepa, Campos abraça árvore e Dilma cata feijão



A campanha pela presidência começou e começou feia. Paulinho da Força, sem fazer força, soltou coices e relinchos no 1º de maio ladeado pelos candidatos da oposição. Pediu cadeia para Dilma a quem apoiou decididamente na última eleição, mas que não cedeu às suas chantagens. A cara de pau indestrutível do sindicalista e seu eqüino desempenho naquele palanque inaugural é sinal de que a oposição de direita não quer deixar lacunas em agressividade e jogo sujo. Parece que vai ser esse o tom da campanha.
Essa instituição que é a ex-mulher, também pode dar seu auxílio luxuoso na corrida eleitoral, pelo menos é o que insinua Luis Soares no sítio informativo Pragmatismo Político, referindo-se a ex de Aécio Neves, Andréia Falcão.
Aecin, que não comentou uma suposta gravação feita pela polícia na qual ele e Andréia discutem e são mencionadas malas de dinheiro e diamantes indo para Aspen na bagagem do senador, faz o que se espera de um candidato em campanha: toma cafezinho na padaria e come pastel cercado por puxa-sacos. Na foto que circula nos meios de comunicação, Paulinho da Força (sempre ele) está de papagaio de pirata enquanto o político mineiro sorri para a desconhecida iguaria. No próximo recesso é bem provável que Aécio troque o Colorado por Campina Grande ou Mossoró. Vai comer buchada de bode pra aprender a rir de pastel.
Com a candidatura tucana tão sujeita às páginas policiais, e que sequer desfruta de muita simpatia no próprio partido, a imprensa, que forma com a oposição de direita no país, parece que vai jogar suas fichas na chapa Eduardo Campos-Marina Silva. A cobertura do lançamento extra-oficial da candidatura dos dois feita pelas empresas de comunicação dos Marinho, era só ternurinha.
O caso do Porto de Suape parece não assustar nem o candidato nem seus apoiadores e na falta de algo melhor para tentar derrotar Dilma, o pernambucano parece ser o preferido.  Além do mais, Campos arrasta Marina (ou será o contrário?) que é a queridinha verde da vez. O discurso sibilino de Marina é garantia para agradar a classe média sem importunar o latifúndio e o grande capital. Quando a moça fala ninguém entende nem se incomoda. É disso que Campos precisa: comer pelas beiradas fazendo oposição a quem apoiava meses atrás, mas com um discurso que não se confunda com o de Aécio, opositor de primeira hora. Há que marcar posição para ter uma vaguinha num já provável 2º turno. A chapa, bem equilibrada no que diz respeito ao prestígio político do candidato e da vice, vai ter de bater em dois se quiser ter chances.
Dilma, que pesquisas atrás parecia imbatível e prometia levar o prêmio no 3 de outubro, agora bota seus marqueteiros para trabalhar e no 14º Encontro Nacional do PT levou Lula, o maior cabo eleitoral do Brasil, à tira colo. O ex-presidente tenta pôr fim ao reclamo de alguns correligionários por uma candidatura sua para substituir a da presidenta, em queda nas intenções de voto segundo os datafolha da vida.
Se Aécio já se prepara para beijar criancinhas e caminhar por feiras livres com pinta de quem ta achando tudo cara e vai esperar a chepa, e Campos, ao lado de Marina, ensaia abraçar um jequitibá, Dilma, por sua vez deverá lutar pela manutenção de seu eleitorado que provém das camadas populares. Dilma, diferentemente de Lula, não se comunica bem com o povo pobre. Bem que ela tenta, mas seu negócio é escrachar colaboradores relapsos e políticos chantagistas que formam sua base no congresso. Nisso ela é boa.

 Então o que fazer para tornar Dilma uma figura popular? Se for deixar por conta dos gênios da propaganda que dirigem as campanhas, poderemos ver a presidenta no horário político catando feijão na cozinha do Alvorada, enquanto desfia o rosário das conquistas petistas no campo social e explica o caso da Petrobrás e sua refinaria milionária na terra de marlboro.