quinta-feira, 12 de junho de 2014

Cobertura ruim, platéia burra



As TVs estavam muito ocupadas mostrando a festa de abertura, chata e cafona, do mundial para dar espaço à realização de Miguel Nicolelis. Usando um exoesqueleto, um tetraplégico chutou uma bola de futebol. A façanha da equipe de neurocirurgiões que trabalhou no projeto “Andar de novo” merecia maior destaque. Devia ter sido vista por todos, no centro do gramado com os jogadores já formados e após a execução dos hinos. Mas o que se pode esperar de Blater e sua gente?
Findo o “show" de Cláudia Leite, Jennifer Lopes e de um sujeito que eu jamais ouvira falar, recuperaram a imagem do feito e durante 2 ou 3 segundos pudemos ver um passo gigantesco da ciência, uma conquista da humanidade.
Acho que devemos dar um desconto tendo em vista que as emissoras de TV não estão preparadas para coisas desse porte. Sua especialidade em matéria de cobertura jornalística são os casamentos da realeza européia e a entrega do Oscar.
Amanhã ou depois, algum apressado repórter será enviado para entrevistar Nicolelis e fará mais uma estúpida reportagem carregada de ufanismo e de metáforas futebolísticas.
Depois veio o jogo. Jogo duro e vitória merecida da Seleção Brasileira.
No segundo tempo, parte da platéia, composta pelo que há de mais branquinho e classe média de nossa sociedade conservadora e imbecilizada pelas redes sociais, resolveu xingar a Presidenta Dilma. Não vaiaram, não apuparam. Usaram do palavrão para ofender a Presidenta que foi eleita democraticamente e que, segundo as pesquisas, deverá vencer o próximo pleito e governar o país por mais 4 anos. Outra parte da platéia respondeu, mostrando que mesmo entre os endinheirados que pagaram uma nota preta para ver a estréia da Seleção, havia os que apóiam o atual governo ou, pelo menos, sabem se comportar com um mínimo de respeito e educação.
No afã de mostrarem-se indignados, os revoltadinhos que xingaram a Presidenta apenas expuseram sua falta de apreço à democracia.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Marulhar



Não, eu não passei anos olhando o mar
Sequer dias passei olhando o mar
Algumas horas? Não, uns minutos talvez
eu tenha passado olhando o mar
Pois sempre que escuto o marulhar
meus olhos buscam o barco no mar
O homem do mar
A morada do homem na ilha

no meio do mar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O juiz que atira bananas



O Ministério Público Federal solicitou junto à justiça a retirada imediata da internet de vídeos de cultos evangélicos que achincalham e ofendem as religiões afro-brasileiras. O juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª vara federal do Rio de Janeiro, indeferiu o pedido alegando que não há risco de demora, pois não está em jogo o direito de exercício de tais práticas nem há perecimento do direito. Assim o Google poderá apresentar defesa em tempo conveniente sem que os vídeos infamantes sejam retirados.
Me parece que o magistrado não entendeu o motivo do pedido. Não se trata de perecimento das práticas nem do direito de exercê-las. Ninguém está alegando que a existência de tais vídeos coloca em risco os cultos afro-brasileiros. O caso é de ofensa grave, de intolerância religiosa e difamação de seus praticantes. O efeito disso é visível nos comentários dos fanáticos pentecostais feitos nas redes sociais e nos sítios informativos da internet.
Mas o togado não ficou na interpretação equivocada do pedido do MPF. Eugênio (o gênio) disse em seu parecer que os cultos afro-brasileiros não são religiões. Para esse filósofo contemporâneo, tais cultos carecem de traços necessários para assim serem considerados. É ele quem aponta tais carências: “a inexistência de texto base (bíblia, corão, etc), ausência de estrutura hierárquica e ausência de um Deus a ser venerado”.
Eugênio descrê na tradição oral e parece desconhecer a existência de culturas ágrafas. Ou talvez pense que sem escrita para a produção de “texto base” não possa haver adoração de deuses nem ritos religiosos. Ele também exige hierarquia, quer patentes para que haja religião. Seu parecer é uma banana atirada aos seguidores de religiões milenares, à nossa herança cultural, ao nosso povo mestiço.

Em resumo: Eugênio é uma besta.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Aécio espera a chepa, Campos abraça árvore e Dilma cata feijão



A campanha pela presidência começou e começou feia. Paulinho da Força, sem fazer força, soltou coices e relinchos no 1º de maio ladeado pelos candidatos da oposição. Pediu cadeia para Dilma a quem apoiou decididamente na última eleição, mas que não cedeu às suas chantagens. A cara de pau indestrutível do sindicalista e seu eqüino desempenho naquele palanque inaugural é sinal de que a oposição de direita não quer deixar lacunas em agressividade e jogo sujo. Parece que vai ser esse o tom da campanha.
Essa instituição que é a ex-mulher, também pode dar seu auxílio luxuoso na corrida eleitoral, pelo menos é o que insinua Luis Soares no sítio informativo Pragmatismo Político, referindo-se a ex de Aécio Neves, Andréia Falcão.
Aecin, que não comentou uma suposta gravação feita pela polícia na qual ele e Andréia discutem e são mencionadas malas de dinheiro e diamantes indo para Aspen na bagagem do senador, faz o que se espera de um candidato em campanha: toma cafezinho na padaria e come pastel cercado por puxa-sacos. Na foto que circula nos meios de comunicação, Paulinho da Força (sempre ele) está de papagaio de pirata enquanto o político mineiro sorri para a desconhecida iguaria. No próximo recesso é bem provável que Aécio troque o Colorado por Campina Grande ou Mossoró. Vai comer buchada de bode pra aprender a rir de pastel.
Com a candidatura tucana tão sujeita às páginas policiais, e que sequer desfruta de muita simpatia no próprio partido, a imprensa, que forma com a oposição de direita no país, parece que vai jogar suas fichas na chapa Eduardo Campos-Marina Silva. A cobertura do lançamento extra-oficial da candidatura dos dois feita pelas empresas de comunicação dos Marinho, era só ternurinha.
O caso do Porto de Suape parece não assustar nem o candidato nem seus apoiadores e na falta de algo melhor para tentar derrotar Dilma, o pernambucano parece ser o preferido.  Além do mais, Campos arrasta Marina (ou será o contrário?) que é a queridinha verde da vez. O discurso sibilino de Marina é garantia para agradar a classe média sem importunar o latifúndio e o grande capital. Quando a moça fala ninguém entende nem se incomoda. É disso que Campos precisa: comer pelas beiradas fazendo oposição a quem apoiava meses atrás, mas com um discurso que não se confunda com o de Aécio, opositor de primeira hora. Há que marcar posição para ter uma vaguinha num já provável 2º turno. A chapa, bem equilibrada no que diz respeito ao prestígio político do candidato e da vice, vai ter de bater em dois se quiser ter chances.
Dilma, que pesquisas atrás parecia imbatível e prometia levar o prêmio no 3 de outubro, agora bota seus marqueteiros para trabalhar e no 14º Encontro Nacional do PT levou Lula, o maior cabo eleitoral do Brasil, à tira colo. O ex-presidente tenta pôr fim ao reclamo de alguns correligionários por uma candidatura sua para substituir a da presidenta, em queda nas intenções de voto segundo os datafolha da vida.
Se Aécio já se prepara para beijar criancinhas e caminhar por feiras livres com pinta de quem ta achando tudo cara e vai esperar a chepa, e Campos, ao lado de Marina, ensaia abraçar um jequitibá, Dilma, por sua vez deverá lutar pela manutenção de seu eleitorado que provém das camadas populares. Dilma, diferentemente de Lula, não se comunica bem com o povo pobre. Bem que ela tenta, mas seu negócio é escrachar colaboradores relapsos e políticos chantagistas que formam sua base no congresso. Nisso ela é boa.

 Então o que fazer para tornar Dilma uma figura popular? Se for deixar por conta dos gênios da propaganda que dirigem as campanhas, poderemos ver a presidenta no horário político catando feijão na cozinha do Alvorada, enquanto desfia o rosário das conquistas petistas no campo social e explica o caso da Petrobrás e sua refinaria milionária na terra de marlboro. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

As voltas que a banana dá



Mais uma vez, pela enésima vez, um racista que freqüenta  estádios de futebol atirou uma banana contra um jogador. E o que fez o jogador atingido pelo ato infame? Retirou-se do gramado? Exortou seus companheiros a segui-lo? Deu uma entrevista coletiva para protestar publicamente? Não. Daniel Alves, o atleta em questão, comeu a banana. Foi um ato tolo, ingênuo, mas que desencadeou uma série de torpezas mundo afora.
O jornal El País, da Espanha, estampou em sua edição eletrônica que Daniel Alves  havia enfrentado o racismo. Se El País tivesse prestado atenção à entrevista que o jogador concedeu aos meios de comunicação espanhóis (incluindo El Pais) após o jogo, saberia que o jogador não enfrentou nada, pelo contrário. Daniel Alves disse que depois de 4 ou 5 anos na Espanha já se acostumou a isso e não há nada que se possa fazer a respeito. Que o negócio é rir desse tipo de acontecimento.
O Villareal, clube dono da cancha onde ocorreu o episódio, divulgou nota oficial na qual afirma que o torcedor racista havia sido identificado e estava proibido de freqüentar aquela praça esportiva para todo o sempre. Bastou a notinha do clube, que abriga a torcida “Coletivo Aldeano”, conhecida por sua ideologia nazista, para que a imprensa brasileira e os comentadores das redes sociais e sítios informativos ligassem o botão da submissão cultural e seu próprio racismo e começassem a falar da superioridade dos europeus que, diferente de nós, punem exemplarmente esses atos de racismo e xenofobia. Ora, nada mais falso, nada mais falacioso.
Ainda que fôssemos crer que o clube espanhol fale sério, como seria cumprida a punição? Através de fotos do infrator espalhadas pelas bilheterias e acessos do estádio alertando porteiros e vigilantes?  Com a identificação biométrica? Quem pode atestar que tal punição será cumprida? Claro, é só um jogo de cena do clube assim como também é jogo de cena as multas aplicadas aos clubes, cujos torcedores racistas  manifestam sua ideologia nos estádios de futebol da Europa. O Milan já foi multado em 2 mil euros quando episódio semelhante ocorreu em suas tribunas. A multa imposta ao clube italiano me fez lembrar de um juiz americano que julgou um processo por assédio sexual em uma boate impetrado por uma moça. O processado era Mike Tyson e a moça queria uma indenização pecuniária. Era óbvio oportunismo tentando explorar a má fama do pugilista. O magistrado deu ganho de causa a ela e estipulou a indenização em 1 (um) dólar.  Com isso, o meretíssimo condenou a atitude de Tyson mas, deixou claro quanto valia a honra da vítima. O tribunal italiano ao fixar uma ínfima merreca como multa, deixou mais claro ainda que não dava  a menor importância ao fato de jogarem bananas sobre os atletas negros.
Recentemente, o  Borússia, teve parte de sua arquibancada (apenas uma parte) interditada por um jogo (um jogo e nada mais) após sua torcida ter exibido uma faixa com dizeres homofóbicos num jogo contra o Arsenal pela  atual liga dos campeões.  Multas de 20 mil euros ( dinheiro de pinga no mundo do futebol) também já foram aplicadas por atos racistas na Espanha.
Mesmo com um histórico  recheado de casos de racismo, dirigentes do Villareal e até mesmo Vicente Del Bosque, treinador da seleção espanhola, insistem que se trata de atos isolados. Del Bosque foi enfático ao afirmar: _”Não existe racismo no futebol”. De certo, o treinador da ex-fúria esqueceu que seu antecessor no comando daquela seleção, Luis Aragonês, foi flagrado motivando seu jogador, Reyes, com a frase:_”Você é melhor que aquele negro de merda”.Aragones se referia a Henry,  companheiro de Reyes no Arsenal naqueles dias. Depois do flagrante, Aragones negou que fosse racista e seguiu treinando a seleção espanhola até o fracasso no mundial de 2006.
Mas no caso da banana de Daniel Alves, o pior estava por vir e teve como protagonistas os brasileiros.
Neymar, apareceu nas redes sociais comendo uma banana ao lado do filho. Aí já não era o gesto tolo, ingênuo, porém espontâneo, de Daniel Alves. Foi um lance de exaltação da “marca” Neymar promovido por uma empresa de propaganda. E mesmo sabendo que disso se trata, de um bomocismo parido a fórceps, muitos aderiram ao gesto de comer públicas bananas ao invés do petit gateau de costume e poucas horas depois, Luciano Huck (que também apareceu seríssimo ao lado de sua seríssima esposa com uma banana na mão), já comercializava a camiseta com os dizeres que Neymar publicou junto com a foto de sua degustação de bananas: ”Somos todos macacos”. O oportunismo do craque e do empresário deveria ter chocado meio mundo, mas não. Assim como a demagogia do clube espanhol, vai sendo elogiado pela imprensa obtusa e xenófila. E não faltam teses falando de gesto antropofágico de Daniel Alves e o escambau.  

A negação do racismo na sociedade espanhola, a frase estúpida de Neymar e a postura cínica de Daniel Alves, dão mais oxigênio para a continuação das manifestações racistas, tanto na Europa como aqui. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A morte de Lucas Lima

Recentemente tivemos o caso do assassinato do garoto que era um dos promotores dos rolezinhos. Sem nenhum pudor, sua morte foi comemorada nas redes sociais e nos sítios informativos. Sem que nenhum crime lhe fosse imputado, Lucas Lima  foi chamado de marginal, de bandido. O rapaz de apenas 18 anos, morto numa briga, supostamente por estar paquerando uma menina que estava acompanhada, era o líder de um movimento social, pois disso se trata o rolezinho: um movimento social. Movimento tão importante quanto as manifestações que em meados do ano passado tomaram as ruas do país. Mas com uma grande diferença: seus protagonistas não provêem da classe média, não são universitários. O pessoal do rolezinho, diferentemente dos manifestantes de junho, não foi mimado pela imprensa de direita que via nas manifestações de rua uma maneira de atacar o governo.
Depois que as manifestações tomaram rumos diferentes e se mostraram mais genéricas, criticando inclusive a imprensa e os políticos em geral, e não só o governo, os meios de desinformação começaram a tratá-las como coisa de baderneiros e vândalos. Sem, é claro, deixar de fazer oportunas ressalvas para uso futuro.
O rolezinho sempre foi tratado como coisa de baderneiros e desocupados, tanto pela imprensa como pela população racista e segregacionista. Ou seja, pela ampla maioria da classe média e dos novos emergentes. Nas redes sociais, os freqüentadores dos shoppings queriam que os meninos da periferia fizessem rolezinhos nas bibliotecas e museus. De repente, gente que jamais folheou um livro e nem sabe o endereço de um museu, virou difusora cultural. Depois de cada ato de rebeldia e inconformismo daqueles que querem romper com a segregação, as TVs mostravam entrevistas com lojistas e comerciários indignados com a ação dos jovens e não com a segregação em si, imposta pelos administradores de shoppings.
O ódio externado nas manifestações contra Lucas Lima, seria algo inexplicável se já não estivéssemos nos acostumando com esse novo perfil do brasileiro médio tão longe do homem cordial de tempos atrás.

Esse novo brasileiro, adepto dos linchamentos e da tortura, vem sendo forjado pelos noticiários policialescos e pelos políticos oportunistas e demagogos. O país afunda na boçalidade e abre caminho para qualquer tentativa autoritária que se dispuser a tomar o poder. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Eu não sou cachorro não, infelizmente

É uma propaganda nova. Da Amil. Não é uma propaganda do tipo “compre nosso plano de saúde e espere 10 meses por um exame de próstata. Nosso plano é o próprio exame de próstata”. Não. É uma dessas propagandas boazinhas que nem as dos cartões de crédito que nos ensinam a usar o crédito com responsabilidade. Acho que esse tipo de propaganda tem um nome no jargão dos publicitários. E são eficazes. Tão eficazes que eu acabei chamando-as de boazinhas. Não são nada boazinhas. São as piores, pois lá está o reclame nos chamando para o exame de próstata como quem convida para o reveillon da Ilha Porchat. Mas fingem que não é isso.
A propaganda de que falo, quer que creiamos que o plano de saúde e os publicitários estão preocupados com a obesidade infantil.
A cena é a seguinte: Em torno de uma típica mesa de novela está uma atípica família brasileira. Há uma suculenta pizza e Mamãe ralha com Papai que está dando um naco da iguaria para o cachorro da casa, que doravante será chamado de Bob. Depois do corte e em torno da mesma típica e novelesca mesa está a família com outro figurino. Papai dá a Bob uma porção de algo apetitoso que a família saboreava. Mamãe ralha de novo com papai. Mamãe está preocupada com a saúde e Bob e se esquece do filho do casal que, gordinho, está comendo a mesma comida pouco saudável, afinal todos sabemos que pizza e bocados suculentos fazem mal à saúde. Aliás, excetuando-se o brócolis cozido na água mineral sem sal e o chá verde sem açúcar, toda comida faz mal à saúde e provoca obesidade.
Sem querer a propaganda da Amil toca num problema real. Nossa sociedade está mais preocupada com os bichos do que com os seres humanos. A mesma mocinha que posta no facebook ameaças contra quem maltrata os animais, apóia os linchamentos e a truculência policial contra moradores de favelas. Os mesmos senhores que chamam de desumanos àqueles que abandonam animais, acham corretíssimo o despejo de famílias em nome do direito à propriedade. E ai daquele que diz que não gosta de cachorros ou do cheiro de xixi de gato.
Frases do tipo, “você conhece o caráter de alguém pela maneira como esse alguém trata os animais” pululam nas redes sociais, sempre acompanhadas por fotos de cachorrinhos com olhar doce e gatinhos fofinhos. A maneira como alguém trata as outras pessoas, já não importa. Pelo contrário. Para as pessoas exige-se a pena de morte e o rebaixamento da maioridade penal. Clama-se pela tortura de presos.  O que conta como definidor de caráter, é a relação com os bichos. Tanto é assim que, sob aplausos unânimes, foi inaugurado recentemente um hospital público para animais. Creio que foi em Porto Alegre, mas outras cidades já têm planos de fazer o mesmo. Parece que cuidar da saúde animal vai gerar mais votos do que evitar mortes de seres humanos que continuam morrendo nas filas dos hospitais ou aguardando uma cirurgia simples que é sempre marcada para depois de meses ou anos.
Eu não me espantaria se em breve inaugurassem escolas para cachorros, creches para gatos e cursos de línguas para papagaios. Se nossos meninos do 4º ano mal lêem e pouco escrevem, não vem ao caso, afinal os governadores e prefeitos que abandonam a educação básica são sempre reeleitos. Não fica nenhum de fora. Nas próximas eleições por certo os veremos, já não mais beijando criancinhas e abraçando velhos durante a campanha eleitoral, e sim fazendo mimos em algum pitbul ou roçando o focinho num angorá. Na minha cidade houve quem advogasse, na última eleição municipal, por espaço exclusivo na praça pública para os bichos. Nem é necessário dizer que o mal estado dos brinquedos usados pelas crianças não comoveu ninguém

A Mamãe da propaganda é um pálido retrato da sociedade em que vivemos.