quinta-feira, 20 de julho de 2017

Memórias II





            Agora me lembro. Eu continuei morando com os caras. Foi nesse mesmo lugar que transei pela primeira vez  com a Aninha. Ainda doía a separação com a Moça mais bonita de Copacabana, mas, sabe como é, eu gostava da fruta
            Aninha era uma paulista baixinha, gordinha e sexy. Também militante da Convergência Socialista como os caras com quem eu vivia. Nosso relacionamento não era namoro. Era uma amizade colorida, como estava na moda naqueles dias.  Depois daquela primeira transa  seguimos  transando, ora no apartamento do Catumbi, ora em sua casa. Ela morava em Niterói, na Alameda São Boaventura. Depois se mudou pra outro endereço na antiga capital fluminense.
            Na Alameda passamos bons momentos. Aninha financiava uns almoços num restaurante da área que servia um strogonoff de camarão da pesada. Estreei com ela o novo apartamento. Foi num dia que nos encontramos no centro do Rio. Acho que foi no Amarelinho ou no Circo Voador. Como eu me encontrasse totalmente bêbado, Aninha falou pras amigas que ia me levar apenas pra me  por  na cama. Que nada! Transamos como nunca naquela mafruga e fomos acordados pelo porteiro, porta-voz dos indignados vizinhos que tinham assistido nosso amor pela janela ainda sem cortinas.
            Mas o que eu queria contar é outra coisa ocorrida na casa do Catumbi.
            Como eu não contribuía financeiramente pra nada, tentava ser útil em outras coisas. Dava umas arrumações, lavava o banheiro e mantinha a cozinha em ordem. A rapaziada trabalhava e militava o dia inteiro e só vinha pra casa altas horas. Todos chegavam sempre alegres. apesar do cansaço e dos riscos da militância naqueles dias bicudos da ditadura.
            Um dia achei umas coisas na geladeira e fiz uma sopa de sustânça  Modéstia às favas, eu me viro bem na cozinha. Não sei fazer nada de especial, mas mando bem no trivial simples. Justo naquela noite, Ciro Garcia e Maurício tinham levado as namoradas pro nosso bioco. Todos e todas elogiaram a sopa. Na manhã seguinte, pus a panela de molho pra desgrudar os restos que ficaram agarrados no fundo e me mandei. Dormi na casa de uma moça que havia conhecido dias atrás.
            Quando voltei na noite seguinte, fui novamente elogiado pela sopa. O pessoal havia comido o resto que eu havia deixado de molho pensando que era a sobra do rango do dia anterior. A grana era pouca, a fome era muita.  Eu não falei nada. Recebi os elogios e fui dormir.
            Tempos depois, nesse mesmo apartamento, houve a briga com a Magda que me levou outra vez pro Souza Aguiar e pro olho da rua.
           

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