terça-feira, 23 de julho de 2013

A propaganda e o Papa


                No princípio era o produto. E fez-se a propaganda e Deus gostou disso. Cada vez mais popular e engraçadinha a propaganda ganhou vida própria. Propagandas, reclames, anúncios, são muito superiores aos produtos. Coma um hamburguer do maquidonaldi e você vai entender o que estou falando.
                Muitas vezes a propaganda prescinde do produto.
                Na política, o hábito de vender só a embalagem vazia é a moda de uns tempos para cá. E o pior é que os marqueteiros dos políticos nem escondem o jogo. Escrevem livros, dão entrevistas, fazem palestras e seminários sobre a arte de vender o nada. São responsabilizados por vitórias que pareciam impossíveis, elegem postes, doutrinam candidatos e eleitores. Tanto é assim que seus serviços valem ouro e os grandes nomes da enganação por encomenda são mais disputados em ano eleitoral que avião da FAB em feriado.
                Mas a maestria dos políticos e seus propagandistas em venderem o que não têm não é novidade no terreno (olha que eu escrevi terreno e não terreiro) religioso. Há muito tempo que curas milagrosas, passagens para o jardim do éden e autógrafos de Jesus são vendidos só na base da propaganda e a procura anda maior que a oferta.
                Cansada de perder clientes para os evangélicos, a igreja católica resolveu que era hora de modernizar-se e partir para a propaganda agressiva dos dias atuais. Os carismáticos estão na TV vendendo de tudo, desde bíblias até excursões à terra santa. E pedindo grana sem oferecer nada em troca a não ser a promessa de um terreno no céu sem igreja evangélica por perto. Agora é a vez do próprio Vaticano vender seu peixe depois de devidamente multiplicado.
                Na capa de Veja desta semana vemos a foto do Sumo Pontífice e o reclame: O Papa dos pobres. Não que a igreja romana tenha planejado alguma ação para amparar os mais necessitados ou algo assim, pelo contrário, a assunção de Bergoglio é uma pá de cal nas comunidades de base e na teologia da libertação que já havia sofrido duas derrotas seguidas com as escolhas dos dois antecessores do argentino e a ascensão dos carismáticos como novos queridinhos da Santa Sé. A capa da revista retrata a nova estratégia do Vaticano.  É apenas propaganda. Faz parte de uma campanha publicitária que começou com a divulgação dos atos de extrema humildade de Francisco. E que melhor meio para divulgar essa campanha que a revista dos mil e um anúncios?
                Entre as atitudes humildes propagandeadas, consta que o Papa desdenhou um crucifixo de ouro para usar um de prata e que trocou a residência oficial do vaticano por uma outra, mais modesta. Não que a joia desdenhada tenha sido dada para obras pias nem que o palácio dos papas tenha sido usado para abrigar os sem teto. Tudo continua lá, intacto. É só propaganda. Mas como a coisa é narrada, parece que Francisco comprou seu crucifixo na Rua da Alfândega e foi morar num conjugado na Barata Ribeiro.
                 Mas por que “papa dos pobres”? O que ganham os pobres com a escolha de Bergoglio? Nada. A moderna propaganda não precisa de um produto, e sim de um fim. O que se pretende é dar visibilidade à Igreja Católica que a cada dia perde mais clientes e prestígio.

                 O Vaticano seguirá promovendo as viagens internacionais de Francisco para tentar recuperar, através da propaganda, os fiéis que debandam do catolicismo depois dos escândalos de pedofilia e sacanagem generalizada entre padres, bispos e cardeais. Mas como anda ostentando humildade, não fará gastos com isso e deixará que os hospedeiros de Sua Santidade paguem as despesas. 

2 comentários:

  1. Muito bom comentário. Parabéns.

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  2. Não esqueçam do desvio de 20 milhões de dólares do Banco do Vaticano, que foram levados para a Suíça, para lavar dinheiro SUJO. O dinheiro era as aplicações de modestos depositantes, e desapareceu. A Polícia Italiana já indiciou os gatunos, todos do Vaticano.

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